sábado, 14 de dezembro de 2013

Chega mais perto e contempla as palavras/ Cada uma/ tem mil faces secretas sob a face neutra/ e te pergunta, sem interesse pela resposta/ pobre ou terrível que lhe deres/ Trouxeste a chave?

Carlos Drummond Andrade

No ano passado, fiz um curso de teatro em um centro cultural de Jundiaí e conheci um garoto que havia publicado dois minicontos em um concurso literário municipal. Ontem me lembrei dele e desse fato e resolvi então escrever dois minicontos para o mesmo concurso. Tenho um prazo de sete dias para escrever dois minicontos e enviar. 
O texto deve ter entre quinze e vinte linhas para ser considerado miniconto. E isso é assassinante. Quando escrevi Fonte Híbrida era como se não houvesse escrito, pensei que tinha apenas recebido a obra pronta, porque ela se escreveu em uma rapidez que não pude absorver, quase não havia tempo, o verso era me entregue e minha mão mal podia acompanhar com sua escrita. 
Ontem sentei e redigi, porém não acho que tenha feito bom trabalho, o texto puro não chegava a quinze linhas, fui obrigado a escrever mais e ele ficou carregado, supérfluo, talvez eu o exponha aqui se considera-lo impróprio. 
A verdade sobre esse fato é que escrevi sem inspiração, que é a raiz de toda arte. Chamei esse miniconto de Ela e o que difere Ela de Fonte Híbrida é que o miniconto não é deslumbrante como o poema, não me trouxe alegria nenhuma, ando até muito cansado por ele. A inspiração é a alma do trabalho, e Ela é um conto lindo porém ele me foi obrigado e não veio de bom grado. Sofro por isso... 
Ontem ouvi na TV a seguinte frase: O último elefante nadador. E isso me trouxe um deslumbramento digno de um poema cheio de cores e luz, mas que pretendo expor a morte. Estou me deparando com alguns problemas da escrita e percebendo que escrever nem sempre é lúdico. Vou ver o que posso fazer dentro de sete dias. Preciso de música.
Não sei se ainda escreverei mais, deixarei a página aberta com o post suspenso até o último sopro.
Além disso tenho que publicar meus minicontos sob um pseudônimo, tenho caído na graça de caçar algum nome porém nenhuma delas é mais fiel e ululante do que unir-me ao blog e publicar sob o nome de Benjamim. Só preciso de um sobrenome ... 
Minha avó esta começando a enfrentar os choques da velhice e entrando em paradigmas. Manchas de sangue pisado aparecem em seu corpo logo depois de qualquer insignificante batidinha. Penso no tempo. Penso em mim. A vida é realmente breve. Porém ela ainda preserva a alma de menina levada e que pode viver quantos anos lhe caberem ainda não está pronta, não aprendeu a viver em sua totalidade, e pra sempre ainda continuará aprendendo. 
O dia corre e nada de inspiração, gosto de escrever dessa forma, sintetizo meus dias e me acerto comigo mesmo, é uma alto-afirmação, se é que essa palavra ainda se escreve assim ... 
Quero ainda subir num trio-elétrico e cantar, em dias em que acordo cansado qualquer grito me leva ao choro. Hoje não será dia de inspiração, é melhor apenas ler. Preciso de música ... 

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