quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Estou a três dias tentando escrever. Adiei a narrativa por medo de não conseguir escrever a verdade, porém  apresso-me por medo de perder a história de dentro de mim, ou ela fugir da minha cabeça antes mesmo de existir. O texto não tem nome porque aquilo que senti também não tem. Eu não sei a palavras pela qual aquilo é chamado, a definição mas próxima é Angústia. Mas definir é limitar e prefiro que isso siga inominável. 
A pena que sinto de mim mesmo é grandíssima como já relatei, e o relato seguinte é uma crônica sobre a insegurança. Tenho receio de escreva-lá por medo de parecer tolo. Hoje eu fui tolo. Me culpei instantaneamente apenas pra sentir como é, ser culpado, ser apontado, ser resignado, ser punido. Não que eu tivesse tido culpa, não tive, mas tive culpa de não sentir culpa. Então me culpei. A culpa é algo tangível, ela resta dentro da gente. O resto não ... Agora me absorvo do vergonha, não vergonha por ter sido culpado, mas vergonha por não ter sido culpado. 
Porém voltemos a minha dor, a culpa vai passar, enterrarei-a com mais dela. Minha dor é datada de sábado, tempestuoso, mal acordado, não deveria ter levantado da cama. Mas deveria, pra poder sentir minha dor que nada mais é do que eu mesmo. Levantei gripado com a voz roca e o nariz escorrendo, de uma forma ou outra isso já mostrava um desequilíbrio interno (o texto está me saindo deveras muito fácil), a minha manhã foi perdida numa sala de recepção inutilmente por isso prefiro esquecer-lá. A agonia aconteceu exatamente depois das duas da tarde quando cheguei num churrasco de comemoração do aniversário de alguém tenho nenhum afeto nem conhecimento, porém deitei na cama dessa pessoa e não sei se isso me fez bem ou mal, mas fez. Quando fico gripado ou minha inúmeras alergias resolvem se manisfestarem, meu emocional é preenchido de uma vasta impaciência sem nome, e que acaba com qualquer boa primeira aparência que alguém possa ter de mim. O problema foi o meu permanente desespero de não negar a vida social, porque nada é dentro, aquilo que não tenho emergido de fora. Cheguei naquela casa minúscula onde todos estava espremidos assando carne e bebendo muito. Nessa hora percebi que a alma não cabe em um lugar onde o corpo é incômodo,
O texto foi interrompido em vírgula e é assim que o deixei, quero que a escrita tente se aproximar daquilo que sinto ou me acontece. Hoje já é terça da semana seguinte ao que foi escrito, fazem dez dias que deixei aquela festa em pó, e me tem sido difícil escrever porque a letra não obedece o sentimento.
Porém nesse hiato pude perceber mais do que antes, pude resgatar uma sensação de perdição que foi o clímax do meu dia, digo então que a agonia me correu o dia todo e meu clímax foi a perdição que me afogou entre a cozinha e o quintal daquela casa desconhecida.
Um casal de irmãos estavam lá presente, quando cheguei fui automaticamente cumprimentando uma velhacada sadia que estava presente e minha mãe. A responsável pela minha presença inconveniente naquele lar estava muito atrás, nesse momento foi o início da minha solidão. Como adentrar aquele lugar cheio de gente estranha como se fosse alguém que era pra eles. Eu não era pra eles. Nunca tinha sido, eles não me conheciam, mas eles eram, e o mais importante eram um pro outro ...
Mas eu não era pra eles, e nem fui, porque certamente não me guardaram na memória. E mais ainda eu não era e não fui pro casal de irmãos que não me notou antes, nem depois. O mais doloroso foi saber que eles eram eu, ou eram oque eu desejaria ser, acima de mim que sonho ...
O sonho é uma faca de dois gumes pois quando nasce, brota como rosa, cresce e se não realizado é como se o botão fosse subitamente cortado restando apenas um espinho, que é eterno, e que fura, e que mata. Por isso jovens não sonhem o único modo de ser feliz e não levar a vida com expectativa, a expectativa mata, pois a realidade é intangível à ideologia.
Mas voltando ao domingo, o único modo de seguir naquele lugar foi travar conversa com minha mãe, que eu conhecia, enquanto todo aquele povo se banhava de vinho e linguiça, me oferecia bebida e eu bebia apenas por educação, o que é horrendo, porque dessa forma o álcool tornasse um vício mais rápido ainda. E o casal de irmãos tocava violão em um cômodo distante.
Novamente aquela gente toda tentava entrar na minha presença, só que isso só servia pra me fechar mais e mais, e culpar a gripe que em nada me incomodava. Até que minha mãe sai de perto de mim na desculpa de ir ao banheiro. Então senti o o chão estava esvaindo ...............
Algum tempo depois não suportando mais o desconsolo da solidão em um lugar cheio de gente precisei ir atrás dela, antes que aquela multidão de vida próspera me devorasse ao seu modo. Cassei na casa toda, rodava em todos os quartos, e de novo e de novo e de novo e de novo. Na sala o irmãos tocavam alegremente juntos umas senhoras brancas e ex-radialistas. Aquela alegria toda me apunhalava, de quebrava, me destruía, justamente que ela não era minha, fui a minha inveja mas pura, porque eu não os inveja e sim amava por serem a mim na minha ideologia.
Parei entre a cozinha e o quintal depois da sala onde tocavam. Ali foi como se eu estivesse á derivá sobre um ralo, minha sensação de perdição cresceu e me engoliu "Como minha mãe, a única razão da minha presença ali, me abandonou tão cruelmente na casa daqueles que eu não conheço e não me são ?" o ralo foi me sugando e de forma alguma eu me sentia parte daquela gente, andei em círculos quatro vezes em completa desolação como se naquela hora eu percebesse que jamais voltaria pra casa, e então teria que viver na rua onde eu não ERA pra ninguém.
Então a dona da casa passou pelo corredor e eu perguntei onde estava minha mãe:
- Ali na sala! - disse ela.
Admirando o casal de músicos, que me denunciavam. Quando me dei conta estava na frente deles todos completamente nu em sentimentos com cara de perdição, perdição, PERDIÇÃO ... era o que eu era pra mim mesmo perante eles todos, PERDIÇÃOOOOOO ...
Fingi, fugi então que era, e disfarcei friamente perguntando pra minha mãe onde era o banheiro. Quando cheguei na porta abri, entrei, tranquei e chorei. Chorei como reação da minha própria reação de perdição. Defequei ali mesmo oque era devido a toda a explosão de ser que eles eram. E urinei de graça naquela casa como uma reação da injúria que eles me foram, um "VÃO SE FODER, meus queridos".
Recuperado voltei pra fora e disse que não estava bem então a dona da residência aquela criatura que me é totalmente externa, me ofereceu sua cama. Aceitei como necessidade de desaparecer com meu corpo presente e minha alma perturbadíssima daquele lugar ... fui e me engoli na minha própria vergonha por não enfrentar aquele mundo, O MUNDO. Indecência.
Deitei lá, e lá fiquei incômodo , mas era mais relaxante pro meu corpo e estava deitado, numa cama dura, mas estava ...
Esse post sai duramente no início, mas agora no final ele me escorre como forma de aceitação e liberdade. O que postei antes foi uma preparação pra essa tempestade que foi a minha agonia e perdição de domingo o qual eu não pude deixar de marcar.
Sai de lá só na hora de ir embora, quase gritando com a velha mãe da aniversariante que não me quis deixar sair sem comer o bolo, eu sai bem rápido sem dar tchau pra ninguém, principalmente pro casal de irmãos, pois aquela não era hora pra eles mudarem a imagem que me tinham dado ...
No carro me soltei, derrubei o peso que eu carregava desde o inicio, me fiz confortável e perguntei como quem desconhece sobre aquela gente todo e principalmente os dois irmãos. Minha mãe os relatou com ar de rendeira que malda as pessoas nas tardes vazias, aquelas crianças tocavam e felicitavam por obrigação, era sonho irredutível do pai que eles fossem aquilo tudo, e no ato de não ser de desejo também não eram de alma. Descobri então que eles não me eram, não houve contato poderia simplesmente esquecer tudo aquilo e seguir como todo dia a vida nos obriga a esquecer e seguir. Seguir pro amanhã, que novamente nos apunhalará e teremos que esquecer. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário